Dalva Agne Lynch

 

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Retorno
Data: 26/01/2008
Créditos:
Retorno - poema de Dalva Agne Lynch, recitado pela autora

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(foto: a autora, em montagem de Sil Saboia)

Retorno


(04/07/07)

Dalva Agne Lynch


As águas se abriram
e fez-se um portal no infinito.
Cruzei-lhe os umbrais
coberta apenas de meus sonhos.
O resto
o peso das lembranças
o fardo das injustiças
os brinquedos quebrados
ficou lá
do outro lado do espelho.
Olho maravilhada minhas mãos
aquelas que dirigiram mundos
porque elas agora
sabem dirigir apenas
carícias.
Ah, como ascenderam!
E minha mente
antes tão cheia de conhecimento
agora apenas contempla.
E vejo na manhã um novo dia
no entardecer outro repouso
nos dias que passam
apenas dias que passam.
E ponho-me à janela
observando as rosas
e elas não me dizem nada.
Apenas exalam perfume.
Vejo os pássaros
e eles me são apenas pássaros.
E no espelho
não vejo mais anjo algum.
Vejo apenas
a mim.

Dalva Agne Lynch

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