Dalva Agne Lynch

 

Diário
22/07/2008 11h09
Um novo capítulo se inicia
Pois eu estava pensando, enquanto lavava a louça: menina, tudo bem que sofri pra caramba, mas se a gente resolve ter uma vida de aventuras, e não de mesmice, vai passar por poucas e boas mesmo.

Durante a viagem aos States, reli Silmarillion, de Tolkien. Voltando, desengavetei o Hobbit. Foi o que me levou a pensar nisto tudo. O coitado do Bilbo deixou sua toca confortável para viver uma aventura - e terminou passando por um monte de perigos. E pensei: aventura significa perigo - perigo de ser ferido e de ferir, principalmente. 

E concluí: ora, sim, que passei por coisas que a maioria das pessoas nem sonhou passar. Mas também experimentei coisas que a maioria só sonhou experimentar, fui a lugares onde muitos gostariam de ir, tive amores incontáveis e loucos, mais filhos que a maioria gostaria de ter, e até já escrevi cinco livros, três dos quais foram publicados, e dois estão na editora.

Quer dizer: VALEU A PENA.

Agora se me abriu um capítulo inteiramente novo, e ainda não sei muito bem aonde a vida vai me levar. Depois que me dediquei, por 23 longos anos, a lutar por meus filhos, agora que a luta acabou tenho à frente o desconhecido. E, como Bilbo, empunho meu cajado de viagem, dou adeus ao antigo, abro a porta e - ponho o pé na estrada.

VIDA, AQUI VOU EU!

Publicado por Dalva Agne Lynch em 22/07/2008 às 11h09
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13/07/2008 11h54
Depois da realização de um sonho
 No meio de tanta coisa nova e bela de se viver, aquela parte de mim que canta não cala. Por sinal, estou lendo Silmarillion, bem no finzinho, e a destruição do Elvenkind aumenta o sentimento de que dói o poder que o feio e o mal tem de destruir o que é bom e belo. O que salva o dia é o riso aberto de Tyler e a linda paisagem que vejo pela
sacada da casa de meu filho. Ainda há flores e crianças, então tudo ainda está bem. Por enquanto. Quando voltar para a poesia, volto também para minha janela que dá para muros, e minha casa onde só a lembrança de passos infantis existe.

Olho pela janela e quase quero que se me acabem os dias antes do retorno. Não quero mais muros e lembranças como as de que falou Claudia Vilella de Andrade - quero coisas novas - como flores e crianças.

Mas...

Nao se escolhe o mundo onde se nasce
E por mais que o tempo passe
Ele continua igual.
Não importa se você procura a paz
Ou faz o que lhe apraz
As bombas continuam caindo.
(de Meshugas, do meu A Hora da Espada)

Bem a propos. Quando voltar para meus muros, Dave parte para o Iraque e Suzi desaparece com Tyler dentro das teias da seita.

Nao me falem de flores.



Publicado por Dalva Agne Lynch em 13/07/2008 às 11h54
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12/07/2008 23h05
Realizacao de um sonho I
Pois entao, apos 23 anos, encontro minha filha Suzi, e reuno todos meus cinco filhos em Carolina do Norte - e por isto este texto nao tem acento, nem cedilha, nem til: o teclado 'e em ingles. Rsrsrs.
 A foto 'e da festa de 4 de julho (Dia da Independencia), em Fort Bragg, onde meu filho Dave (o de bone) esta estacionado enquanto espera para voltar ao Iraque. Da esquerda para a direita: Sam, diretor de comunicacao da Editora Mundo Cristao e estudante de jornalismo na Casper Libero, com quem moro aqui no Brasil; Suzi, a filha que perdi ha 23 anos, e que pertence 'a seita Meninos de Deus, que a sequestrou aos 3 anos de idade; eu, com Dave atras; Mer, que estuda Fashion Design em Chicago; Joe, tambem militar, estacionado em Fort Benning, na Georgia - o que chegou do Iraque no inicio deste ano, e para quem escrevi meu livro A Hora da Espada em 2001.
Por agora 'e tudo - meu netinho - filho de Suzi, que tem 5 meses - esta tentando dormir, e a luz atrapalha. Vai dai, encerro por hoje.


Publicado por Dalva Agne Lynch em 12/07/2008 às 23h05
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14/06/2008 13h43
Lavagem cerebral - Os Meninos de Deus
Parece que abandonei o... mmmm... "Meu Diário". Preocupações da vida diária.
Estou me preparando para viajar aos States, onde todos os meus cinco filhos vão se reunir e vamos, pela primeira vez, encontrar Suzi, minha filha sequestrada que não vejo há 23 anos, e seu bebezinho Tyler. Meus filhos menores nem a conhecem. Os dois maiores sim, mas não a veem há mais de dez anos. Nem mesmo sabemos onde ela mora - para alguns de nós ela disse Filipinas, para outros Indonésia - mas seu IP é da Thailândia. 
Os entendidos chamam isto de "Síndrome de Estocolmo", quando a vítima termina por se identificar com os sequestradores, e a fazer parte deles. Não há como culpá-la - ela foi levada aos três anos de idade, e não conhece nada a não ser o convívio com eles, que não a permitem contato algum com pessoas de fora, a não ser para "provisionar"  (conseguir doações para o grupo) e para "testificar"  (pregar os ensinamentos do grupo, ou sua versão dos Evangelhos). 
Suzi nunca foi à escola, ao cinema, a um parque de diversões. Nunca foi a um concerto, a uma palestra, a uma festinha. Não lê revistas, jornais ou livros. Não assiste TV, muito menos noticiários. Tudo o que ela lê e assiste precisa primeiro passar pela aprovação dos líderes do grupo, e tudo o que ela sabe do mundo é através dos impressos e dos vídeos internos do grupo. 
A liberdade de ser que tanto amamos é algo completamente desconhecido para ela - ela fala em clichês, tem o pensamento condicionado e, encarada com fatos, fica confusa, e retruca: "eu não entendo, mas o Senhor entende". Ela não se rebela jamais, mesmo quando recebe ordens contrárias ao que sente ser o certo. Rebelar-se seria ir contra a "liderança apontada por deus", e um pecado gravíssimo.
Perguntei se ela não tinha medo de que o grupo lhe tirasse o filho. "Eles nunca fariam isso!", respondeu. "Era o que eu pensava, filha - mas eles fizeram!" "Você não nos entende", ela retrucou.
Mas alguns dias depois, disse-me que não se desgrudava do filho para coisa alguma. "Não sei por que tenho medo de perder Tyler. Eu devia confiar mais no Senhor!"
Quer dizer, a semente foi plantada. Espero que germine, e, por amor ao filho, ela se liberte. Ao ver os irmãos lutadores, livres, lindos, talvez algo desperte dentro dela. 
Isto que ela sofre chama-se LAVAGEM CEREBRAL, amigos - e isto existe, é real, e eu a conheço muito bem.
Se alguém quiser ver os "santos" que a sequestraram, e a mantêm como robot, procurem se informar sobre OS MENINOS DE DEUS, ou THE CHILDREN OF GOD, também conhecidos como A FAMÍLIA. Se você entrar no Googles com esses nomes, verão não apenas o que e quem eles são, mas também o que fui e o que sou na minha luta contra eles.
Depois me digam se não é para mim ser meio maluca. Pensem no que vocês seriam, se isto acontecesse com vocês. Acima, uma foto dos MENINOS DE DEUS em 1974, quando eram uma banda famosa, ganhadora do Globo de Ouro - antes de se terem transformado em uma seita maldita. Eu sou a menina de preto, sentada em uma pedra bem no centro da foto.

Publicado por Dalva Agne Lynch em 14/06/2008 às 13h43
 
04/06/2008 15h41
Por que publico no Recanto das Letras?

(fig: Pintura que fiz para o livro da escritora aqui do Recanto das Letras, Cármen Neves: "Castelo dos Desejos")


Um grupo gerenciador de sites me enviou um e mail oferecendo-me seus serviços. Abaixo, a resposta que dei:

O Recanto das Letras administra meu site, mas quem faz todos os downloads sou eu. Além disto, tudo é também publicado no próprio Recanto, ainda que sem som, e pode ser visto por milhares de pessoas pelo mundo inteiro, que também estão conectadas ao Recanto, todas elas da área de literatura, seja em português, espanhol ou inglês. Por seu turno, essas pessoas conectam-me com milhares de outras, não escritoras, através de seu público. Agora mesmo, tenho meu site vinculado a outros até em países como a Tailândia, a África do Sul e Israel, entre dezenas de outros. Alguns deles você pode encontrar digitando meu nome no Googles.com.

 
Sozinha, com um site independente, o que escrevo seria lido por muito menos da metade das pessoas que estão agora me lendo. No estado em que a literatura do Brasil se encontra, ou seja, um descaso total para com o escritor brasileiro, sem publicidade e sem retorno financeiro (o autor recebe DEZ POR CENTO do preço de um livro), precisamos ficar unidos e nos apoiarmos mutuamente.

Um exemplo: retirei todos meus livros das livrarias, porque a porcentagem exigidas por elas era de 60%, em cima dos 30% da editora. Agora mesmo, a única livraria onde você encontra meus livros é a Cultura, que cobra  40%, o que me deixa com 30% depois da porcentagem da editora. Talvez porque no Rio Grande do Sul o autor é mais valorizado.

No fim, terminei colocando um de meus livros, já lançado no papel e precisando de uma segunda edição, em forma de e book, e publicando na Net. Se é para receber uma ninharia, então vou deixar meus livros de forma gratuita! Pelo menos eles atingem o público. As editoras se dedicam a traduzir livros estrangeiros ao invés de investir no talento nacional, para começo de história, e, se publicam-nos, não oferecem qualquer campanha publicitária. Ou seja, de nada adianta publicar, se você vai ficar na prateleira por falta de informação ao público.

Tudo isto posto junto, espero ter explicado a razão pela qual uni-me aos escritores do Recanto. É a velha história do "unidos venceremos".Um abraço,
 
Dalva Agne Lynch
www.dalvalynch.net

Publicado por Dalva Agne Lynch em 04/06/2008 às 15h41



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