BRING ME TO LIFE
(Devolva-me à vida)
© Dalva Agne Lynch
Também eu me vi atrás de portas fechadas
e descobri que me havia perdido em buscas
também eu quis que me tirassem do nada
naquilo em que me transformei
com tanto que me tornei
e gritei, acorde-me de mim mesma
antes que me desfaça
antes que o que pensei ser verdade
se me caia ao peso de ausências
e nada mais perca porque nada mais há!
Porque não se guardam coisas assim
coisas que não são coisas...
"Acorde-me por dentro!
Chame por meu nome e salve-me de mim mesma!"*
Minha realidade caiu
em fumaça e concreto e chamas e metal
duas Torres antes de poder e glória
agora entulho e fachos de luz
e vi meus bebês voarem
- você também viu? -
grandes pássaros negros silenciosos
e as bombas! Você viu as bombas?
Estraçalhando corpos
os corpos de meus filhos
chagas abertas nas costas de meus filhos!
Você viu? Não, claro que não.
Se visse estaria também desfeito
estaria também buscando pelo que perdeu
em meio ao fogo e às cinzas
no concreto despedaçado, no metal contorcido
ao som de bombas, sempre as bombas!
Mas... se você viu, se você sentiu
se você ouviu o rugido das pedras caindo
prenúncio de todas as bombas
se esses fachos de luz lhes são de qualquer sentido
Chame por meu nome e me acorde
salve-me antes que me desfaça
Salve-me do nada em que me tornei!"*
(₢2005, refeito 2010)
Créditos da Ilustração (11 de Maio, 2010)
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