Sarah D A Lynch

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Textos


Depois da tempestade
(Meditação de Elul, 5779 - Setembro, 2019)
 
 
 
Perguntaram-me esta semana
“Como você diz estar agradecida
Por penas e batalhas e lágrimas
Que você pensa virem de Hashem?
Veja, se existe, Ele não corrige assassinos
Ladrões, pedófilos, estupradores!
Eles florescem e se multiplicam
Incólumes, assolando a humanidade!
Por que Hashem se interessaria por você
Pequena, ínfima, sem importância universal
E por que estar agradecida por penas e dores?”
E me disseram, “Isso é lavagem cerebral religiosa
Você não aprendeu nada com o passado
O que sofreu sob a crueldade impiedosa
De pseudo-líderes sem escrúpulos?”
Então ouvi a tempestade rugir lá fora
Derrubando galhos e folhas e flores
Mas quando amanheceu, ela se fora
E o sol estava nascendo atrás dos edifícios.
Agora, neste instante, sento-me à sacada
E observo as árvores, as flores e a grama verde
E penso, como não estar agradecida
Por uma Natureza que se renova
Depois da fúria da tempestade?
E de onde veio a fúria da Natureza
Veio também a tempestade que me assolou
Que me revirou as entranhas até que sobrasse
Apenas as raízes da minha confiança!
Sim, Hashem viu e entendeu e renovou
Fazendo renascer em mim a certeza
De que outra vez o Seu Sol brilharia
Sobre os escombros que fizeram de mim mesma!
Quanto ao resto – os assassinos, os ladrões
Os estupradores e pedófilos e os arrogantes
Amontoam-se nos cantos sombrios da devassidão
No lamaçal imundo de suas mentes perversas
Na fossa sem fim da podridão humana
Até que se consumam dentro de si mesmos
E sejam absorvidos pelas trevas do esquecimento
Vivos apenas nas chagas de suas vítimas!
E se fui uma delas, se fui destroçada e devastada
Por isso entendo a dor de perdas assombrosas
Entendo a imensidão do sofrimento.
Mas também entendo que não sou como eles
Aqueles que me destruíram, roubaram e assolaram.
Sou como as árvores e as flores e a grama verde
Que observo se renovando da minha sacada.
E assim como o Sol brilha sobre a Natureza
Ele se me voltou a brilhar apesar do passado
E se me renova agora a cada dia
Quando caminho pelos campos da minha mente
E peço perdão por minhas falhas e erros.
E ao meu lado... ao meu lado caminha Hashem
Aquele que os que me acusam desdenham
Aquele que meus algozes diziam não estar comigo.
E Hashem sussurra ao meu ouvido
Perdoando-me e ensinando-me a perdoar...
E então...
E então, como não estar agradecida?
 

 
Sarah D A Lynch
Enviado por Sarah D A Lynch em 02/09/2019
Alterado em 02/09/2019
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